Hoje está na moda toda empresa ter um propósito gigante, tipo o da Google: “Organizar as informações do mundo!”. Do contrário, você está por fora. Mais que isso: não vai ter sucesso porque não conseguirá contratar pessoas leais a esse propósito, não conseguirá engajar pessoas nessa missão e nem definir metas “moonshot” (aquelas metas dos sonhos que engajam todo mundo, por mais que não sejam atingidas). Ou seja, a empresa está condenada a ser uma empresa mediana, pequena. Não é exponencial e será difícil alcançar sucesso.

Não tenho nada contra, pelo contrário, tenho muito a favor de quem conseguiu encontrar esse propósito. Não somente para efeito de marketing, mas porque ele é real e profundo. Torna público e engaja pessoas com ele.

O que sou contra é juntar um monte de executivos em uma sala, em um planejamento estratégico, e obrigá-los a sair no final do dia com um propósito definido.

Veja, essa é uma pergunta altamente complexa. É o mesmo que perguntar para você, sim, você pessoa física: qual o propósito da sua vida na terra? Quanto mais novo, mais difícil ter essa resposta. Mas, ok, vamos juntar a família em um fim de semana desses e sair com uma definição disso no final do dia. Por mais que saia algo, não quer dizer que é, de fato, a essência da sua existência. Normalmente descobrimos isso durante a jornada da vida. Em uma conversa de bar, dirigindo ou, de repente, trombamos com a resposta. É aquele momento “eureca!!!” Tudo faz sentido!

Se para definir o propósito de uma pessoa é difícil, imagina para uma startup ou uma empresa estabelecida. Eu, particularmente, acredito que essa é uma questão muito mais profunda e não pode ser aplicada somente para modismo… Tem que fazer sentido. E mesmo não sendo aquela missão gigantesca, empolgante, ela motiva você e quem está com você. Faz você acordar cedo e saber que é para isso que você está indo trabalhar.

Qual o problema de um pequeno supermercado ter claramente como propósito “ajudar às famílias daquele bairro a acessar produtos sem ter que ir para uma região central”? E celebrar cada vez que um cliente der um depoimento que deixou de ir ao centro porque resolveu ali o problema dele? Faz sentido, faz diferença na vida daquelas pessoas. Pronto.

Você lembra daquelas reuniões de planejamento que tinha que sair com uma missão, visão e valores? Essas definições passam por jargões que contêm palavras como “referência”, “qualidade”, “bom atendimento”… Você poderia jogar essa missão ou visão para empresas de qualquer outro segmento que faria sentido e, por fim, não ia dizer coisa alguma de fato sobre o que é a missão e a visão. Não desperta nenhum tipo de sentimento nas pessoas. Pois é, estamos fazendo a mesma coisa com a definição de propósito.

A definição de um propósito é algo muito sério, e de fato pode ajudar seu negócio. Mas está sendo banalizada, assim como outrora fizemos com outros conceitos importantes. Pare e reflita. Se achou algo que faz sentido, ok. Use como provisório, reflita em outra data, mude até achar o propósito que acende como uma luz… “Eureca, agora tudo faz sentido!”. E se você ainda não tem isso, você é normal e seu negócio ainda é e será um sucesso. Boa jornada!

*Este artigo de Ilson Rezende foi postado originalmente no E-Commerce Brasil

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