
Se há alguns anos alguém te dissesse que todos os meses existiria um dia com pico de vendas consideravelmente maior que o restante do mês, você acreditaria? Esses são os Spike Day, ou datas duplas, que passaram a ocupar espaço fixo no calendário dos marketplaces brasileiros.
A campanha que iniciou pela Shopee e outros marketplaces asiáticos ganhou espaço também no varejo brasileiro como um todo, e hoje já reorganiza o comportamento de compra ao longo do ano, criando picos de demanda que competem com sazonalidades tradicionais.
Ignorar o Spike Day pode significar perder visibilidade. Só que participar sem estratégia pode corroer margem. Para entender melhor sobre isso, reunimos as principais informações aqui nesse artigo. Boa leitura!
O Spike Day é uma campanha promocional concentrada em datas duplas — como 7/7, 8/8, 9/9, 10/10, 11/11 e 12/12 — criada para gerar picos de tráfego e conversão em um único dia. A lógica é simples: fácil memorização, forte apelo promocional e alta ativação de mídia.
O conceito ganhou escala global com o Singles Day (11/11) na China. No Brasil, marketplaces incorporaram as datas duplas como estratégia recorrente de estímulo de vendas, principalmente em 2025, quando a digitalização acelerou o consumo online.
Hoje, o Spike Day é usado como ferramenta de aquisição, retenção e teste de performance. Plataformas como Shopee, por exemplo, utilizam massivamente essas datas para gerar engajamento com cupons, frete subsidiado e campanhas gamificadas.
Nem todo Spike Day performa da mesma forma, mas o mercado já mostrou que não é prudente subestimar nenhuma data dupla. Um exemplo claro foi o 2/2 de 2026, que, de acordo com os dados do ANYMARKET, registrou aumento de 107% no GMV em relação a 2025, demonstrando que mesmo datas historicamente menos comentadas podem ganhar tração relevante quando há ativação comercial estruturada.
Esse movimento reforça um ponto estratégico: o desempenho de um Spike Day está diretamente ligado ao nível de investimento do marketplace — mídia, subsídio de frete, cupons, destaque em vitrines e push para base ativa. Quando esses elementos se combinam, o pico acontece, independentemente do mês.
Em 2025, as datas com maior destaque incluíram 7/7, 8/8, 9/9, 10/10, 11/11 (Singles Day) e 12/12. A diferença entre uma data morna e uma data de alta performance está menos no calendário e mais na estratégia da plataforma e costume de consumo do mercado.
Assim, o Spike Day deve ser analisado como um ciclo contínuo de oportunidades ao longo do ano. Ignorar determinadas datas por percepção histórica pode significar perder momentos de crescimento expressivo, especialmente em um cenário em que os marketplaces vêm profissionalizando cada vez mais essas ativações.
Veja alguns dados estratégicos das datas duplas em 2026:
| Data dupla | Crescimento de GMV | Crescimento do número de pedidos | Ticket médio | Produtos mais vendidos |
| 2/2/26 | 107% | 79% | R$443,34 (+16%) | Cerveja, sabonete em barra, perfume, lava roupas e camiseta. |
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A data dupla é um instrumento estratégico para os marketplaces. Ela concentra tráfego em um período curto não-convencional, eleva GMV e cria narrativa comercial constante ao longo do ano.
Além disso, funciona como laboratório de performance. Antes de eventos estruturais como Black Friday, as datas duplas ajudam a testar estabilidade de infraestrutura, elasticidade de preço e comportamento logístico.
Para o seller, o benefício potencial está em exposição ampliada, ganho de reputação por volume de pedidos e oportunidade de giro de estoque. Mas isso depende de aderência real à estratégia da campanha.
A pergunta sobre entrar ou não em um Spike Day não deve ser respondida com base em euforia de mercado. Ela precisa considerar margem, estoque e capacidade operacional. Veja mais a seguir:
Participar de um Spike Day faz sentido, antes de tudo, quando existe um objetivo claro de giro de estoque. Se a sua curva ABC mostra produtos com baixa rotatividade ou capital imobilizado em SKUs de cauda longa, a data dupla pode funcionar como alavanca tática para liberar caixa e reorganizar o mix.
Além disso, a decisão precisa estar conectada à estrutura de margem. Se você consegue conceder desconto sem comprometer o resultado líquido — considerando comissão, frete, Ads e eventuais subsídios — o Spike Day deixa de ser apenas volume e passa a ser estratégia de rentabilidade controlada. Sellers com eficiência logística e boa negociação de frete tendem a capturar mais valor nesse cenário.
Por fim, há o efeito reputacional. Um aumento consistente de pedidos, quando bem executado operacionalmente, acelera a geração de avaliações e fortalece indicadores internos do marketplace. Ou seja, o ganho não está apenas no dia da campanha, mas no posicionamento orgânico das semanas seguintes.
Por outro lado, se o seu estoque já possui giro saudável e margem preservada, o Spike Day pode apenas antecipar demanda que ocorreria de forma orgânica. Nesse caso, você troca margem por volume sem ganho estrutural de market share.
Também é preciso avaliar capacidade operacional. Operações com prazo de despacho elevado, ruptura recorrente ou estrutura logística limitada correm risco de aumento de cancelamentos, atraso em envios e impacto direto na reputação — um custo que pode superar o benefício do pico de vendas.
Por fim, a competição de preço deve ser analisada com frieza. Se sua estrutura não suporta competir com sellers que operam com margem mínima ou estratégia agressiva de queima, entrar no Spike Day sem diferenciação clara pode pressionar resultado sem contrapartida estratégica.
Entrar em um Spike Day exige preparação técnica, financeira e operacional. Para maximizar resultado e reduzir risco, considere as seguintes 9 práticas estratégicas:
O Spike Day pode ser uma alavanca relevante dentro do calendário de vendas, mas não deve ser tratado como participação automática. Estratégia, produto certo e gestão eficiente definem o resultado.
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