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2 de outubro de 2026
8 minutos de leitura

Marketplace internacional: como a Natura vende em 5 países sem complicar a operação

Resumir com IA:
Computador com a logo da Natura simbolizando a venda em marketplace internacional

Vender em marketplace internacional costuma multiplicar problema por país: catálogo duplicado, atendimento fragmentado, processo reinventado a cada mercado novo. A Natura testou essa hipótese nos últimos dois anos e chegou numa resposta diferente, com Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México operando dentro da mesma arquitetura.

A marca completa 57 anos em 2026, apoiada em mais de 2 milhões de consultoras na América Latina. Entrou em marketplace só em 2024 e, em dois anos, chegou a cinco países sem recriar o processo a cada fronteira.

Este case mostra a arquitetura por trás disso, e por que crescer em marketplace internacional não precisou significar operação duplicada. Este artigo reúne duas fontes: o depoimento que a Natura gravou para o ANYTOOLS e a conversa que tivemos com a marca em um painel no Fórum Ecommerce Brasil. Boa leitura!

O desafio do marketplace internacional: cinco países, cinco jogos diferentes

No Brasil, quase todo mundo já deu ou recebeu um presente Natura, não é mesmo? Fora do país, essa memória não existe na mesma intensidade. Assim, reconhecimento de marca vira trabalho a ser feito, não ativo disponível.

A concentração de canal também muda radicalmente por geografia:

  • Argentina — cerca de 98% do volume está no Mercado Livre
  • Chile — Falabella e Mercado Livre somam mais de 80%
  • México — disputa mais aberta, com Mercado Livre, Amazon, Walmart, Liverpool, Elektra e Coppel
  • Colômbia — Mercado Livre e Falabella dominantes, com mais de 40 marketplaces verticais mapeados

Tratar essas cinco realidades com o mesmo plano seria desperdiçar o que cada canal oferece. A diferença também é de comportamento: no Brasil, o vínculo pessoal vem antes do negócio; na Argentina, a relação é mais objetiva. Por isso a liderança de planning da Natura é horizontal (olha todos os países) e a comercial é vertical (um cluster por região).

Marketplace internacional sem quintuplicar operação: a arquitetura da solução por trás do case

A arquitetura tem três camadas: governança global no SAP, sem exceção por país; um hub de integração especialista, que concentra canal, conciliação financeira e atendimento; e faturadores locais, porque Brasil, Chile e Argentina exigem soluções fiscais diferentes entre si.

O ANYMARKET entrou nessa segunda camada, centralizando catálogo, estoque e abastecimento. Isso permitiu levar a arquitetura já validada no Brasil direto para o México, sem recomeçar do zero.

"Eu tô fazendo uma implementação agora no México, onde eu estou demorando três semanas para implementar, devido a todo o nosso ecossistema construído junto com o ANYMARKET. Sem o ANYMARKET, eu não conseguiria não onerar o meu time com trabalhos operacionais." — Luiza Olivério, IT Manager da Natura

Como o ANYMARKET sustenta isso na prática

Seis frentes do produto explicam por que replicar a operação em cinco países não exigiu replicar o time:

  • Catálogo cadastrado uma vez, publicado em todos os canais. Com os SBOTs de Publicação, o enriquecimento de título, descrição e imagem que levaria semanas acontece no mesmo dia. É o que torna viável abrir um país novo em semanas, e não em meses.
  • Preço e campanha configurados por país, sem perder margem. Carga tributária e poder aquisitivo mudam a conta em cada mercado. Regras de markup, desconto e campanha por marketplace, com trava de segurança contra erro de integração, permitem que o mesmo produto tenha preços diferentes em cada país sem virar trabalho manual nem risco de prejuízo.
  • Estoque sincronizado entre cinco países ao mesmo tempo. Regras de estoque mínimo, máximo, compartilhado e virtual evitam overselling e furo de estoque entre múltiplos canais e geografias, sem depender de planilha. Isso é o que sustenta a governança "sem exceção por país" que a arquitetura do SAP exige lá na ponta.
  • Pedidos visíveis num painel único, do pago ao entregue. Com cinco países operando simultaneamente, ter timeline detalhada e alerta antes que um atraso vire cancelamento é o que torna a operação monitorável, em vez de reativa.
  • Automação via SBOTs liberando o time para decisão, não para tarefa repetitiva. Correção automática de erro de integração e geração de conteúdo de anúncio são o motivo direto pelo qual abrir um país novo não significa contratar proporcionalmente mais gente para cuidar da operação.

O Predize, outra ferramenta do mesmo ecossistema do ANYMARKET, resolveu a outra ponta: o atendimento. Unificar os canais numa única plataforma reduziu em cerca de 50% o esforço do time, sem precisar crescer na mesma proporção do volume.

O resultado: crescer em marketplace internacional sem dividir mercado

A pergunta que toda marca com força de venda direta enfrenta ao entrar em marketplace é se o canal vai competir com quem já vende. Dois dados respondem com fato.

Numa live commerce, uma consultora vende de 4 a 5 vezes mais do que uma grande influenciadora contratada para o mesmo formato. A maior parte das vendas da Natura no TikTok Shop vem de recomendação das próprias consultoras.

Quando a Natura abriu loja oficial no Mercado Livre, já havia cerca de 500 sellers vendendo produtos da marca por lá. A marca optou por coexistir, e esses sellers cresceram depois. Do lado do cliente, 90% dos clientes conquistados em marketplace eram incrementais: audiência que a Natura não alcançava nem por consultora, nem por loja própria.

A arquitetura replicável também abriu espaço para troca de aprendizado entre operações locais. Hoje é comum um time na Argentina recorrer ao time do México para resolver uma questão de ferramenta, porque o capital intelectual de um país passou a valer para os demais.

O que aprender com o case da Natura no marketplace internacional: 7 lições para aplicar na sua operação

O case da Natura em marketplace internacional rendeu mais do que prova de resultado. Rendeu método. Separamos sete lições da conversa que valem tanto para quem planeja a América Latina inteira quanto para quem só vai abrir um canal novo no Brasil.

1. Olhe a concentração de canal antes de decidir onde entrar

Num país onde um único marketplace concentra quase todo o volume (como a Argentina, com ~98% no Mercado Livre), abrir três canais ao mesmo tempo divide esforço sem trazer receita proporcional. Em mercado mais pulverizado, como o México, a conta muda. A ordem de entrada depende da maturidade da categoria naquele canal e da aderência do público, não de uma lista genérica de "canais disponíveis".

2. Replique o que já funciona, não recrie a estrutura

Um erro comum: abrir uma operação nova com outra diretoria e outro processo, em vez de levar o que já funciona no mercado de origem. A Natura fez o oposto, levando a mesma arquitetura do Brasil para o México, e isso é parte direta do motivo pelo qual a implementação levou semanas, não meses.

3. Ative sua própria força de venda antes de contratar audiência

Se você tem revendedor, franqueado ou time de loja, comece por eles no conteúdo e na live. Profundidade de conhecimento do produto converte mais do que alcance de audiência contratada, e ativar quem já conhece a marca é mais barato do que comprar atenção nova.

4. Levante quem já vende sua marca no canal antes de entrar

Antes de abrir loja oficial, mapeie quantos sellers já vendem seu produto ali e a que preço. Isso permite desenhar uma política de coexistência, em vez de descobrir o conflito depois que a loja já está no ar.

5. Meça incrementalidade antes de discutir canibalização

Cruze a base do canal com a sua base atual para saber quanto do volume é cliente novo. Sem esse número, a discussão sobre canibalização acontece por percepção, não por dado, e a empresa acaba protegendo um canal com base em receio em vez de fato.

6. Construa preço por país, não por desconto genérico

Carga tributária e poder aquisitivo mudam a conta em cada mercado. O mesmo item pode terminar mais barato em outro país sem que isso seja erro de precificação: é leitura de contexto, e precisa ser tratado como regra, não como exceção manual.

7. Deixe a estrutura de time acompanhar a lógica da expansão

Processo e planejamento centralizados (horizontais) garantem sinergia entre países; liderança comercial local (vertical) captura a oportunidade de cada mercado. Quando cada país recria a estrutura inteira do zero, a operação perde escala e repete o mesmo erro em paralelo.

Sua operação também está crescendo em mais de um marketplace ou mais de um país? Fale com o time ANYMARKET e veja como estruturar essa expansão sem complicar o que já funciona.

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